Cerca de 6.500 pessoas no Brasil têm hemofilia. Destas, cerca de 10 a 20% podem desenvolver inibidores (anticorpos) para a terapia de coagulação. As seguintes questões foram preparadas para explicar o significado dos inibidores, como eles afetam a escolha da terapia e como eles podem ser "enganados" de forma que os hemofílicos fiquem aptos para receber tratamentos efetivos. Um glossário é também fornecido neste site para ajudar na definição dos termos relacionados à hemofilia. Essas informações são fornecidas com o intuito de ajudar os pacientes e suas famílias a adquirir uma melhor compreensão da hemofilia e o tratamento correspondente no sentido de facilitar a discussão sobre o tema e sobre questões concernentes à assistência médica.
O que é hemofilia?
Como se contrai a hemofilia?
Quais são os sinais e sintomas da hemofilia?
Como a hemofilia afeta o estilo de vida?
Como a hemofilia é tratada?
O que é um inibidor?
Os inibidores são comuns?
Quem está propenso a desenvolver inibidores?
Como as pessoas descobrem que têm inibidores?
Qual teste é usado para achar inibidores?
Há mais de um tipo de inibidor?
Como os epidódios de hemorragia são tratados em pessoas com inibidores?
O que é o Fator VIIa Recombinante (NovoSeven®)?
De que forma o NovoSeven® é diferente de outros fatores de coagulação?
Quem deve utilizar o NovoSeven®?
Há quanto tempo a terapia com o fator VIIa tem sido usada?
Quão efetivo é o NovoSeven®?
O NovoSeven® é seguro?
Quais as probabilidades de se contrair um vírus com o NovoSeven®?
Quais os riscos de eventos trombóticos (excesso de coagulação)?
Quais os medicamentos que devem ser evitados?
O que é hemofilia? Normalmente, quando ocorre o sangramento, o organismo inicia uma resposta em duas etapas para interromper
o episódio. Na primeira, as plaquetas tornam-se viscosas e acumulam-se
no local do ferimento formando um tampão de plaquetas. Depois, a coagulação
do sangue rapidamente repõe o tampão de plaquetas instáveis
com um coágulo de fibrina quimicamente estável. Isso acontece por
uma série de reações enzimáticas no sangue envolvendo
substâncias chamadas fatores de coagulação. Quando há
uma deficiência ou ausência dos fatores VIII ou IX, ocorre uma interrupção
no processo de coagulação resultando em uma hemorragia descontrolada
que é chamada de hemofilia. Pessoas com falta de fator VIII têm hemofilia
A e pessoas com insuficiência de fator IX têm hemofilia B. voltar Como
se contrai a hemofilia? Na maioria dos casos a
hemofilia é hereditária e afeta principalmente os homens. As mulheres
podem carregar o gene que causa a hemofilia. Quando uma mulher que é portadora
têm filhos, há uma probabilidade de 50% que os meninos desenvolvam
a doença e 50% de probabilidade que as meninas tornem-se portadoras. Enquanto
filhos de homens hemofílicos não herdam a doença, todas as
filhas deles serão portadoras. Além disso, em cerca de um terço
dos casos, não há história familiar da doença e hemofilia
ocorrendo como resultado de uma nova mutação genética. voltar Quais
são os sinais e sintomas da hemofilia? A
mais séria hemorragia associada à hemofilia tende a ser interna
porque, diferentemente da hemorragia causada por ferimentos, pode ser invisível
e difícil de antecipar. A hemorragia na hemofilia pode ocorrer quase em
qualquer lugar do corpo e pode danificar articulações, ossos, nervos
e outros tecidos. Os sintomas incluem contusões freqüentes ou sangramentos
repetidos nas articulações como joelhos, cotovelos e quadril. Algumas
vezes, quando a hemorragia ocorre em músculos profundos ou outros tecidos
moles, pode ser percebida como um músculo distendido. Quando o sangramento
ocorre no antebraço, panturrilha ou virilha, o intumescimento pode causar
pressão sobre os nervos, resultando em dormência, dor e incapacidade
de movimento do membro. O atendimento médico imediato deve ser procurado
nesses casos. A hemorragia pode também ocorrer na boca, face, pescoço
ou garganta. Isso pode ser sério porque há possibilidade de obstrução
da respiração. Hemorragia dentro da cabeça, se causada por
um ferimento ou sem uma razão aparente (hemorragia espontânea) pode
não exibir sintomas por vários dias. Sintomas a serem procurados
incluem irritabilidade, sonolência, sensação de torpor ou
formigamento, dor de cabeça, confusão, náusea, vômito,
dificuldade de falar ou engolir e mudança na visão. Todos os ferimentos
na cabeça são sérios e requerem atenção médica
imediata. voltar Como
a hemofilia afeta o estilo de vida? Hemofilia
é uma condição vitalícia. Embora atualmente não
haja cura, existem terapias de controle da hemorragia que possibilitam aos hemofílicos
a condução de uma vida relativamente normal. Pais de crianças
nessa condição devem ter as mesmas precauções que
quaisquer pais e igualmente escolher brinquedos macios e roupas acolchoadas. A
socialização e as brincadeiras com outras crianças são
importantes ao desenvolvimento da criança e devem ser encorajados. Quando
a criança cresce, assuntos relacionados a esportes e namoro devem ser discutidos.
Os jovens podem querer trocar idéias sobre como a hereditariedade dessa
doença pode afetar sexualidade, casamento e planejamento familiar. No
decorrer da vida, os exercícios físicos são importantes.
Músculos mais fortes sustentam as articulações e podem reduzir
o números de sangramentos. Deve-se consultar um médico para desenvolver
um programa de exercícios regulares que podem incluir, dependendo de preferências
pessoais, natação, golfe, caminhadas, e outras atividades que causem
relativamente pouco estresse nas articulações. voltar Como
a hemofilia é tratada? Como a hemofilia
é resultado de deficiência ou ausência de certos fatores de
coagulação, o tratamento envolve tipicamente a suplementação
do fator ausente por administração intravenosa. A terapia de reposição
do fator funciona para a maioria dos pacientes a menos que eles desenvolvam inibidores
aos fatores de coagulação. voltar O
que é um inibidor? Devido ao fato de os
fatores usados na terapia de reposição serem externos ao corpo,
há sempre o risco do sistema imunológico do organismo reconhecê-los
como estranhos e atacá-los. Esse ataque é realizado pelos anticorpos.
Normalmente, anticorpos ajudam a proteger o organismo da destruição
de substâncias nocivas, como as bactérias. Mas quando esses anticorpos,
também referidos como inibidores, atacam e neutralizam os fator VIII ou
IX que foi adicionado ao sangue, a hemorragia não pára, e tratamentos
alternativos precisam ser considerados. voltar Os
inibidores são comuns? Cientistas estimam
que 15 a 20% das pessoas com hemofilia A severa podem desenvolver inibidores em
algum período de suas vidas. Os inibidores são muito menos comuns
na hemofilia B, afetando apenas de 2 a 5% dos pacientes. voltar Quem
está propenso a desenvolver inibidores? Pessoas
com risco mais elevado de adquirir inibidores são:
- crianças. Inibidores desenvolvem-se mais comumente antes dos 20 anos;
- pessoas com hemofilia severa;
- pessoas com história familiar
de inibidores.
Cientistas estão estudando
atualmente o gene da hemofilia e o sistema imunológico para aprender mais
sobre a razão pela qual algumas pessoas desenvolvem inibidores mais freqüentemente
que outras. voltar Como
as pessoas descobrem que têm inibidores? Inibidores
são detectados de duas maneiras: - durante
um episódio hemorrágico, quando o sangramento não pára
tão rapidamente quanto deveria depois de uma dose regular de fator VIII
ou fator IX;
- durante uma visita ao consultório, por meio de um
exame de sangue.
voltar Qual
teste é usado para achar inibidores? Um
tipo de teste conhecido como pesquisa e dosagem de inibidores é usado para
verificar se a pessoa tem inibidores. Esse teste mede a concentração
de anticorpos em unidades Bethesda. Quanto mais alto o número de unidades
Bethesda, mais inibidores a pessoa tem. voltar Há
mais de um tipo de inibidor? Inibidores são
classificados pela forma com a qual respondem ao tratamento dos fatores VIII ou
IX. Eles são considerados como de "alta resposta" ou de "baixa
resposta".
| Tipo de inibidor |
Tipo de Resposta Imune | Reação
ao uso repetido de fatores VIII e IX |
| Alta resposta | Forte | Níveis do inibidor aumentam rapidamente |
| Baixa resposta | Mais lenta e mais fraca | Níveis
do inibidor pouco aumentam ou permanecem estáveis | O
nível do inibidor pode modificar-se ao decorrer do tempo, mudando de baixo
para alto ou de alto para baixo, conforme a resposta. Pacientes
cuja resposta é baixa podem ser tratados usualmente com uma dose mais alta
de fatores VIII e IX; pacientes de alta resposta necessitam de outras alternativas. voltar Como
os episódios de hemorragia são tratados em pessoas com inibidores? Tratar
pacientes com inibidores é desafiador porque cada paciente reage diferentemente
aos tratamentos e produtos disponíveis. Recentemente, vários modos
foram desenvolvidos para o tratamento de indivíduos com inibidores aos
fatores VIII e IX. A tabela abaixo lista as várias terapias que têm
sido usadas nos últimos 20 anos. Terapias
de Tratamento de Episódios de Hemorragia em Pacientes com Inibidores
| Terapia |
Quando da introdução |
Como funciona |
| Concentrados de complexo Protrombínicos (CCPs) | 1970
(década) | Contém vários outros fatores de coagulação
derivados do plasma humano do processo de coagulação do que o fator
VIII, evitando a necessidade do fator VIII para alcançar a coagulação |
| Concentrados de complexo protrombínicos parcialmente
ativados (CCPa) | 1970 (década) | Contém
protrombina derivada do plasma humano ativada e outros fatores de coagulação,
evitando portando a necessidade do fator VIII para alcançar a coagulação |
| Plasmaferese | 1970 (década) | O
sangue é processado e o inibidor é removido do plasma; então
o plasma é devolvido ao paciente e o tratamento pode continuar com fator
VIII ou IX ou outras alternativas | | Terapia
de imuno-tolerância | Final de 1970 | Fator
VIII é administrado em doses altas e freqüentes por um período
que varia de semanas a anos; o resultado desejado é que os inibidores parem
de ser produzidos pelo organismo de forma que o paciente possa responder aos fatores
VIII e IX | | Fator VIII porcino | 1980 | Fator
VIII, derivado do plasma suíno, é levemente diferente do fator VIII
humano, podendo passar sem reconhecimento pelos inibidores do fator VIII. (Essa
terapia está aprovada somente para pacientes com hemofilia A) |
| Fator VIIa Recombinante | 1996 | Evita
os fatores VIII e IX no processo de coagulação; por ser recombinante,
elimina o risco de contaminação viral humana que é sempre
uma preocupação nos produtos derivados do plasma humano |
voltar
O que é Fator VIIa Recombinante (NovoSeven®)? O
NovoSeven®, disponível no Brasil desde 1997, é o primeiro e
único produto contendo fator VIIa Recombinante. Como os fatores VIII e
IX, o fator VIIa é uma das substâncias participantes que levam à
coagulação sangüínea. voltar De
que forma o NovoSeven® é diferente de outros fatores de coagulação? Uma
vez que o fator VIIa atua juntamente com o fator tecidual no local da hemorragia,
ele é capaz de realizar a hemostasia (coagulação) numa etapa
mais adiante daquelas que atuam os fatores VIII e IX. Desse modo o NovoSeven®
ajuda a estancar a hemorragia mesmo quando os inibidores dos fatores VIII e IX
estão presentes - "enganando" os inibidores, desviando-os completamente
do processo de coagulação. voltar Quem
deve utilizar o NovoSeven®? O NovoSeven®
é indicado para o tratamento dos episódios de hemorragia nos pacientes
com hemofilias A e B com inibidores aos fatores de coagulação VIII
e IX. Também é utilizado nos pacientes com hemofilia adquirida (pessoas
normais que desenvolvem auto-anticorpos contra os fatores VIII e IX naturais. voltar Há
quanto tempo a terapia com o fator VIIa tem sido usada? O
NovoSeven® tem sido usado nos estudos clínicos no mundo inteiro há
mais de 10 anos para controlar a hemorragia em pacientes hemofílicos com
inibidores. voltar Quão
efetivo é o NovoSeven®? Em estudos clínicos
de pessoas com hemofilias A e B e inibidores, 91% dos episódios de hemorragia
foram tratados com sucesso com o NovoSeven®. voltar O
NovoSeven® é seguro? O NovoSeven®
é bem tolerado pela maioria dos pacientes. Em estudos clínicos,
os efeitos colaterais mais comuns relacionados ao tratamento foram febre, dor
no local da infusão, dor de cabeça, vômitos, alterações
na pressão arterial e reações de hipersensibilidade da pele. voltar Quais
as probabilidades de se contrair um vírus com o NovoSeven®? O
NovoSeven® não contém albumina humana ou proteínas derivadas
do plasma humano, o que elimina o risco de contaminação viral humana.
Múltiplas etapas para purificação foram testadas para eliminar
os vírus no processo de produção. voltar Quais
os riscos de eventos trombóticos (excesso de coagulação)? Embora
o risco exato não seja conhecido, é considerado baixo. Pessoas predispostas
à coagulação disseminada estão sob o risco de terem
complicações. Consulte seu médico para mais informações. voltar Quais
os medicamentos que devem ser evitados? O Fator
VIIa Recombinante (NovoSeven®) é usado em combinação
com medicamentos para dor, antibióticos e sedativos sem complicações.
Entretanto, quando do uso do NovoSeven®, os concentrados complexos protrombínicos
ativados ou não, devem ser evitados. voltar
Fonte: www.novonordisk.com.br
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