Hepatites B e C: conhecimento é a melhor prevenção
Postado em 12. dez, 2008 por admin em Matérias
Segundo informação do site Grupo Esperança, voltado para portadores do Vírus Hepatite C (VHC), a OMS estima que 170 milhões de pessoas estejam infectadas no mundo todo. No Brasil os contaminados seriam 2% a 3% da população. Para Agrimeire Leite, presidente da ONG ABC Vida – que é a Associação dos Portadores de Hepatite do Ceará, os casos de Hepatite C no país são cinco vezes maior do que de Aids. E como identificar se está ou não com a silenciosa doença? “Um exame, que é gratuito em dois locais do Estado, mas que todos os planos de saúde pagam, é o melhor caminho. Principalmente quem fez transfusão de sangue até 1994, quando não havia tanto cuidado”, afirmou Agrimeire.
Ao grupo que fez transfusão de sangue se juntam os que colocaram piercing ou fizeram tatuagens em locais sem higiene, utilizam drogas injetáveis com seringas que não são descartáveis, bem como processos médicos e odontológicos em locais sem esterelização. O contágio pela via sexual não é freqüente na Hepatite C, embora possa ocorrer, principalmente para pessoas onde as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) podem ser facilitadores do contágio, sendo o HIV um fator importante nesse sentido.
As principais medidas contra a Hepatite C são: não compartilhar alicates, navalhas de barbearia, não fazer tatuagens ou piercings em locais sem condições de esterilização, evitar contato sangüíneo ou atividades que expõem a contatos com ferimentos. O que também serve para a prevenção do vírus da Hepatite B, que além de ser sexualmente transmissível, podendo ser evitado com o uso de preservativos, também é transmitido por contato sangüíneo. E tanto segundo Agrimeire quanto a hepatologista Eloíde Hyppólito, do Hospital São José, a transmissão por saliva, suor ou lágrima é puro mito. E não há vacina para a Hepatite C, só para a B.
Um dos pontos mais importantes colocado pelo grupo é a necessidade da detecção da doença, ou seja, fazer o exame de sangue anti-HCV o mais cedo possível, principalmente entre as pessoas que estão dentro do grupo de risco: profissionais da área de saúde, policiais, prostitutas, usuários de drogas, piercings e tatuagens e quem fez transfusão de sangue. Segundo a presidente do Grupo ABC Vida quanto mais cedo se detectar a doença melhor. Isso porque se a Hepatite C não tiver comprometido o fígado, há mais chances de cura – aproximadamente 76%. O tratamento já pode ser feito em hospitais públicos locais e dura 48 semanas.
Transplante – Segundo Agrimeire, a Hepatite C é o fator número um da necessidade de um transplante de fígado no Estado. Depois vem a Hepatite B e a Cirrose Alcóolica. Ela lembra que a prevenção é importante porque até 95% dos infectados com a Hepatite B ficam recuperados naturalmente, mas os infectados pela Hepatite C apenas um número máximo de 20% se recupera naturalmente. “As duas não tem sintomas, então é preciso fazer o exame mesmo para saber se é ou não portador do vírus”, informa.
Vacina – Especialmente para menores de 19 anos a vacina da Hepatite B é gratuita, a Hepatite C não tem vacina. Mas, de acordo com Agrimeire, não só essas pessoas podem receber a vacina de forma gratuita. “Tem muita gente que pode e não sabe. É preciso informação mesmo. Por exemplo: que é doador regular de sangue, tatuado, quem tem piercing, entre outros. Todos podem receber a vacina de graça”, disse. Quem está fora do grupo tem que pagar pela vacina. São três doses. Cada uma custa R$ 35. Um investimento barato para evitar problemas futuros que são piores.
Evento – Segundo Agrimeire, no terceiro domingo de maio haverá um evento para divulgar ainda mais a Hepatite C. “É que a data marca o Dia Internacional de Divulgação da Hepatite C”, afirma Agrimeire.
Silencioso – De acordo com doutor Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, especializado e pós-graduado em Moléstias Infecciosas pela FMUSP, em texto postado no site do Grupo Esperança, entre as habilidades do VHC uma das mais traiçoeiras é a de ser silencioso, ou seja, sem manifestações clínicas para a maior parte dos pacientes.
“A doença é assintomática! O sintoma que pode ocorrer é um cansaço atípico, sendo os sinais e sintomas mais severos detectados apenas em fases muito avançadas (cirrose). Não espere os populares ‘olhos amarelos’, ‘urina cor de Coca-Cola’ etc. Por outro lado a evolução da hepatite é habitualmente lenta, levando décadas para que um grau de lesão significativo ocorra. Além disso, 80% dos portadores crônicos terão uma progressão estável e pouco importante e apenas 20% terão cirrose, e desses aproximadamente 8% terão câncer de fígado. No entanto é muito difícil determinar com certeza como será a evolução de cada paciente, embora tenhamos alguns dados demográficos, epidemiológicos e laboratoriais que nos ajudem. Não sabemos ainda se esses percentuais evolutivos são definitivos, pois a doença é muito recente e o número de casos acompanhados vai aumentar, fornecendo um melhor conhecimento da História Natural da moléstia”, definiu o doutor Araújo.
Tratamento – Segundo o doutor Araújo, uma vez que seja tomada a decisão pelo tratamento farmacológico, deve-se estabelecer um objetivo terapêutico. “Para o paciente e mesmo para muitos médicos o objetivo primário do tratamento é a cura, eliminação do VHC. Isso no entanto freqüentemente não é possível pois os medicamentos disponíveis dependem da interação vírus-sistema imunológico do paciente (que é modulado pelos fármacos usados). Assim o insucesso é real quando esse objetivo é o principal, pois não temos como interferir nessa relação vírus-sistema imune-medicamento. Cada paciente é único!”, disse.
E complementa: “O que devemos ter como objetivo primário é a melhora da histologia hepática. Estudos recentes demonstram que mesmo em pacientes que persistem infectados, há uma significativa melhora do fígado após o tratamento. Existem estudos em andamento que visam inclusive estabelecer tratamentos de manutenção para não respondedores com hepatopatia avançada. Assim, primeiro melhorar o fígado e se possível eliminar o VHC. Isso deve ser considerado pelo médico e pelo paciente antes de decidir interromper um tratamento por falta de clareamento viral”.
O tratamento padrão é feito com a associação do Interferon (convencional ou peguilado) à Ribavirina. “A dose e esquemas possíveis são variáveis, sendo que o médico deverá analisar cada paciente para decidir o que é melhor. Atualmente vivemos uma polêmica à respeito do Interferon Peguilado, aparentemente superior ao convencional. Em minha opinião essa é uma polêmica desnecessária pois o peguilado já se mostrou superior e pelo menos é mais cômodo porque é semanal”, disse.
“Assim não se trata de polêmica científica e sim mercadológica e econômica, pois se o preço do peguilado fosse menor certamente esse já seria o único Interferon disponível. Como é assunto desgastante recomendo aos pacientes ficar fora desse duelo, deixando ao médico a opção pelo que é melhor para si, e para as ONGs a briga pela disponibilização dos melhores tratamentos, que no momento é o Interferon Peguilado. Finalmente, para alguns pacientes a única opção restante é o transplante hepático. Se esse for seu caso confie na equipe que está cuidando de seu caso pois certamente após o transplante sua vida será plena. Não tenha medo”, finaliza Araújo.
Por falar em transplantes de fígado, Agrimeire garante ser o Ceará o primeiro no Norte-Nordeste em qualidade. Além disso, é o também o terceiro melhor centro no Brasil. Já em relação ao medicamento, ela afirma que o problema de falta dele, que ocorreu em janeiro desse ano, já foi solucionado no Ceará. Segundo ela, é obrigação do Ministério da Saúde comprar o Interferon Peguilado e distribui-lo aos estados. “No caso da Ribavirina, que é mais barata, o Governo do Estado a compra e faz a distribuição”, disse Agrimeire.
Para finalizar, a presidente do ABC Vida reforça a necessidade de mais campanhas de divulgação da Hepatite C. “Mais de 90% desconhecem ter a doença e por isso é grande a fila de transplante. Se tivesse mais campanhas de esclarecimento da doença diminuiriam os casos de transplantes e até mesmo de mortes pelo VHC. O grave da doença é que os pacientes descobrem muito tarde”, afirma ela que descobriu a doença quando foi fazer uma doação de sangue em 1998.
“Fui encaminhada para um médico no Hospital Universitário Walter Cantídio, da UFC, que fez meu acompanhamento, pois se estiver tudo bem não precisa fazer o tratamento. Por isso é importante descobrir cedo. Aí entram as campanhas. Eu comecei o tratamento em 2002. E, no ano seguinte, estava curada”, encerrou.
Locais para exame gratuito
Unidade de Saúde Carlos Ribeiro: Rua Jacinto Matos 944 – Jacarecanga. Tel.: (85) 3452-6370.
Centro Especializado José Alencar (Cenja): Rua Guilherme Rocha, 510 – Centro. Tel.: (85) 3488-2235
Locais para tratamento gratuito:
Hospital São José: Rua Nestor Barbosa 315 – Amadeu Furtado. Tel.: (85) 3101-2322
Hospital Universitário Walter Cantídio: Rua Capitão Francisco Pedro, 1290 – Rodolfo Teofilo. Tel.: (85) 3281-4211
Hospital Geral de Fortaleza (HGF): Rua Professor Otavio Lobo 27 – Papicu. Tel.: (85) 3265-6411
Em caso de dúvida entrar em contato com a ONG ABC Vida pelo e-mail abcvida.ce@bol.com.br ou pelo telefone 8848-6798 (falar com Agrimeire Leite).

4 Comentários
Renata Cardoso
16. jul, 2009
Sou dentista e minha grande preocupação é em relação a esterelização dos instrumentais após atendimento do paciente com hepatite C ,agradeceria esclarecimento,pois tudo que leio não tem me esclarecido.
Fernando
11. nov, 2009
Já fiz o exame duas vezes e fui diagnosticado como portador da hepatite C, onde encontro tratamento gratuito no Rio de Janeiro?
Podem me orientar?
Desde de já agradeço e fico aguardando retorno.
Kaio
07. abr, 2010
Fiz o exame está com 2 anos atrás e acusou hepatite B estacionada,acha que ela pode se manifestar?Tomei 3 vacinas no posto de saúde.Será que ela pode me afetar?Me diz alguma coisa.Estou bem de saúde.Me respondam pelo email,por favor!Obrigado!
Ana Maria
10. jun, 2010
Olha essas coisas de Hepatite B e C eu não gosto.Minha amiga já teve a mais de anos.
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